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Ônibus e Metrô de SP vão parar na greve geral contra a reforma da Previdência

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Categorias que respondem pelo transporte de 14 milhões de pessoas por dia decidiram aderir à paralisação nacional do dia 14 de junho contra o desmonte da Previdência Social

Motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista aprovaram ontem (16) a participação na greve geral convocada para 14 de junho, contra a proposta de “reforma” da Previdência do governo Bolsonaro. A paralisação dos ônibus foi decidida em assembleia realizada pelo Sindicato dos Motoristas e deve ser de 24 horas. No dia 6 de maio, os metroviários paulistas também decidiram pela paralisação do Metrô durante o movimento nacional.

No dia 27, trabalhadores do setor de transportes vão se reunir para definir a atuação da categoria nas mobilizações contra o desmonte da previdência pública. Metroviários, ferroviários, trabalhadores dos ônibus municipais e metropolitanos da capital e de outras cidades da grande São Paulo são esperados no encontro.

As centrais sindicais consideram fundamental a boa articulação da greve no setor de transportes. Em 2017, a greve geral de 28 de abril deixou paralisados os sistemas de transportes da capital paulista e da região metropolitana de São Paulo, abrangendo ônibus municipais e intermunicipais, Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ruas e avenidas ficaram vazias e os índices de congestionamento registrados pela Companhia de Engenharia de Tráfego foram ínfimos.

Campanha salarial
Além da adesão à greve geral, os motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista decretaram estado de greve por conta da falta de propostas dos empresários na campanha salarial deste ano. O sindicato deve se reunir com o prefeito Bruno Covas (PSDB), na segunda-feira (20), para pedir que a prefeitura intervenha nas negociações e evite uma paralisação do serviço. A categoria vai realizar nova assembleia no mesmo dia e decidir se inicia greve na terça (21).

“Esperamos que o poder público intervenha a favor dos trabalhadores e faça com que os empresários abram mão da sua ganância. Vamos comunicar o prefeito da decisão da nossa categoria. Nenhum ônibus vai andar na cidade de São Paulo até que as nossas reivindicações sejam atendidas”, disse o presidente do sindicato, Valdevan Noventa.

Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial que recomponha a inflação do período (4,94%), mais aumento real de 3%, vale-refeição de R$ 27, participação nos lucros ou resultados (PLR) de R$ 2 mil, seguro obrigatório para cobertura de avarias nos veículos causadas por terceiros, garantia de emprego dos cobradores diante das alterações ocorridas na nova licitação – que prevê o fim da função –, entre outros itens.

Motoristas e cobradores rechaçaram a proposta do sindicato patronal, SPUrbanuss, que propôs reajuste salarial de 4,18% (abaixo da inflação do período), aumento de R$ 0,80 no vale-refeição, intervalo de almoço de uma hora sem remuneração, exclusão da PLR e jornada flexível. Já foram realizadas quatro reuniões, sem acordo. A data-base é 1º de maio.

O sindicato avalia que não há justificativa para um reajuste tão baixo, já que os empresários estão “rindo à toa” com os lucros que terão na exploração do sistema de transporte público da capital paulista pelos próximos 20 anos. Sem concorrência, a nova licitação do transporte coletivo de São Paulo acabou vencida pelos mesmos empresários que atuam no sistema desde 2003 e com o valor máximo de remuneração.

A margem de lucro proposta pela gestão do prefeito Bruno Covas ficou acima daquela definida pela auditoria ocorrida no sistema em 2014. Além disso, a gestão Covas reduziu a integração do Bilhete Único Vale transporte e aumentou o valor cobrado nessa modalidade para R$ 4,57, aumentando a receita. Essa mudança está sendo questionada na Justiça.

por Rodrigo Gomes, da RBA

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