A presença já confirmada da presença em Porto Alegre do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manifestação de hoje à noite (23), que antecede seu julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), deixou ainda mais animadas as milhares de pessoas que, desde a noite de domingo (21) se dirigem à capital gaúcha para expressar seu apoio a Lula e a seu direito de participar das eleições deste ano.

A confirmação foi dada no fim da tarde de ontem pela presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann. O ex-presidente teria tomado a decisão como forma de agradecimento ao apoio e solidariedade que vem recebendo. Lula participará do ato previsto para iniciar no Largo Glênio Peres, no centro da cidade e seguir para a Esquina Democrática. "Isso multiplica o entusiasmo da militância aqui. Mais de 500 caravanas já estão mobilizadas [para estar em Porto Alegre]. Obviamente, a presença do presidente Lula dá um peso muito importante ao ato", diz Alexandre Padilha, vice-presidente do PT.

Lula estará ao lado de outras lideranças de esquerda que também têm nomes cotados em candidaturas para as eleições de outubro. O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, e a deputada estadual Manuela D’Ávila (PC do B) estão entre os nomes confirmados. Depois das falas, o ato seguirá em marcha até o acampamento em apoio ao ex-presidente, no Anfiteatro Pôr-Do-Sol.

Segundo Padilha, Lula retorna a São Paulo ainda na terça-feira à noite e não participa da caminhada. Na quarta, dia do julgamento, ele estará no ato na capital paulista, previsto para iniciar às 17h, na Praça da República, de onde deverá seguir até a Avenida Paulista.

Lula será julgado em segunda instância por um trio de desembargadores do TRF4, por suposto recebimento de propinas por meio de um apartamento triplex em Guarujá (SP). Denunciado pelo Ministério Público Federal ainda em 2016, Lula foi condenado pelo Juiz Sérgio Moro em julho de 2017. Agora, a 8ª Turma dirá se mantém ou não a condenação a 9 anos e 6 meses de prisão.

Padilha adiantou ainda que, independentemente do resultado do julgamento no TRF4, no dia 25 de janeiro, o PT já tem uma reunião exclusiva convocada com toda a diretiva nacional, para reafirmar a candidatura de Lula à presidência. O encontro contará com governadores, deputados, senadores do partido e entidades convidadas, como a UNE e o MST. O evento será transmitido ao vivo pela internet.

Para Padilha, o primeiro dia de mobilizações em apoio a Lula foi marcado de vitórias. A primeira, seria a forma pacífica com que a marcha do MST entrou em Porto Alegre, ao contrário da mensagem que o forte esquema de segurança mandava. A segunda seria o fato de não haver debates de juristas de renome que apoiem à sentença de Sérgio Moro. Ele espera que os desembargadores tenham uma postura "coerente", frente ao processo que será julgado nesta quarta. "Única expectativa [com o TRF4] é que venha a absolver o presidente Lula".

Com reportagem de Fernanda Canofre, do Sul21

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